Estou sentada em minha cama, apenas olho em vão, sem captar um misero movimento em torno de mim, nem mesmo o vento quer disparar em todas as direções, apenas me perco em pensamentos sem fim. Se ontem parecia ruim, o hoje chega a ser mefistoférico, se não sabia se gostava, se não sabia se amava, se não sabia o que sentia, neste instante, me parece que sei menos ainda...
A noite enfim vem chegando, estamos no crepúsculo, e enquanto a lua aproxima-se de sua grandeza, de sua beleza, as dúvidas aproximam-se de mim. Observo sem minúcias o que está em torno de mim, mas apenas vejo, não olho atentamente, não capto nada além do que aquilo que sou capaz de ver, pois não vejo nada, apenas finjo ver, meu olhar e minha mente não estão no mesmo aposento que meu corpo.
Em um ímpeto, levanto-me bruscamente e saio a caminhar em direção a porta de meu quarto, apenas quero sair daquele local, e buscar um vento, um ar pra respirar, olhar a lua e estrelas, e não pensar em nada. Contudo pensamentos são inevitáveis, pois o ser humano é, teoricamente, um ser pensante, um ser totalmente racional.
Então, em minha memória viro páginas e páginas, e retorno a tempos atrás, aqueles que não apaguei, só deixei esquecidos no passado, e me pego pensando, imaginando, o que pode acontecer, pois a história pode repetir-se, como numa sucessão de “dejá vu”, o que não seria nem um pouco legal.
Sim, esses pensamentos desconexos são intrínsecos a minha mente, não sei porque, mas há muito que fazem parte de meu ser, não me deixam, apenas deixam marcas, dúvidas, argumentos e lembranças, lembranças inesgotáveis, algumas boas e outras péssimas. Mas não quero mais pensar, não quero imaginar, não quero me iludir, não quero sentir, não quero ser.
A lua está linda e cheia, prefiro pensar na imensidão do Universo, nos planetas, satélites, cometas, estrelas, constelações, galáxias, na gigante Via Láctea, no Big Bang e em Deus, criador. No entanto, em apenas um descuido já me vejo pensando em Mariana e Simão, me lembro de Catherine e Heathcliff, Beatriz e Dante, Bentinho e Capitu, e obviamente a bela Julieta e o Romeu...
Lembro então de cada momento, por mais simples que o seja. Aquele momento em que te vejo, um momento simplesmente nostálgico, aquele momento em que olho nos seus olhos e simplesmente fico sem palavras, quando apenas paro para te ver por mais um instante e meus olhos não querem observar mais nada, quando você se aproxima e eu não quero mais nada a não ser que você não fique longe, quando você encosta em mim, e o toque de sua pele parece a melhor coisa do mundo, quando palavras saem através dos seus lábios, e soam como a mais bela canção...
Preciso parar com isso, esquecer esta loucura, mas como, se tudo parece me fazer lembrar cada vez mais, pensar cada vez mais, esquecer de tudo e ver apenas tua imagem. Enfim, viro-me e volto ao meu quarto, a única coisa a fazer é deitar minha cabeça no travesseiro e desejar não sonhar com você.
Yohanna Madalozzo
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