10.06.2013

Frases I

Sonhos são necessários, mas não podem ser apenas sonhos para sempre...


A vida dá voltas, te derruba e te dá a mão para levantar, te fazer sorrir e chorar, te faz crer, desacreditar; além disso, ela chega ao fim e no fim tudo fica pra trás!


Se a dúvida não existe, se fossem apenas certezas, tudo seria mais sem graça!


Paixões não são tão necessárias na vida das pessoas, não quando elas vão se limitar a paixões que te distraem e enlouquecem sua cabeça.


Sempre diga sim, a não ser que o não seja realmente necessário...


Deixe a vida fluir naturalmente, as coisas acontecerem ao seu tempo, porque se não for natural, não é pra existir!


8.16.2013

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Vinicius de Moraes

I

Um rosto apagado, que parece-me um borrão
Um olhar esquecido, como uma lembrança ao longe
Uma voz irreconhecível, que mudou e não foi notada
Uma foto que não diz mais nada. Tudo foi em vão.

Um bilhete amassado, que foi deixado de lado
Um adeus esmaecido, simplesmente cortado
Uma doce marca, não se pode mais ver
Uma carta de amor, na qual está tudo borrado

A música está no mudo
A televisão perdeu a cor
A felicidade já não é feliz
O Sol não traz calor

O tempo passa, as pessoas mudam
O hoje já virou ontem, o amanhã é hoje
O ano que vem está ai, o futuro a nossa porta
Mas há coisas impossíveis de esquecer

Uma lembrança ainda viva, numa memória infalivel
Um borrão cada vez mais nitido
Um tom mais grave quase imperceptível
Isso diz tudo, uma imagem bem guardada, nada é impossível

Uma caixa guarda todos os bilhetes
Um último encontro, um adeus lembrado para sempre
Algo impossível de apagar, mais marcado que uma cicatriz
Um amor que nunca deixará de existir

Yohanna Madalozzo

8.14.2013

Plenilúnio

A brisa gelada da noite acaricia minha face e me traz uma sensação de liberdade, que não sou capaz de explicar, apenas quero sentir por mais um instante, pois nesses poucos segundos de leveza, parece que todos os meu problemas desaparecem. Além da brisa que me envolve, vejo ali o plenilúnio, que tem tal influência sobre minha mente que chega a ser sobrenatural, me trazendo felicidade e paz, talvez pelas lembranças esquecidas, ou por detalhes infimos relembrados.
Mas a vida não se resume a observar a Lua durante a noite ou sentir o vento sobre o corpo... Meus músculos se contraem e decido voltar para o meu quarto, me viro e enchaminho-me até a porta que separa minha sacada e meu aposento, perpasso-a e fecho-a. Caminho lentamente em direção ao longo espelho, que ocupa quase a parede inteira, e observo meu reflexo; se ele realmente mostrasse a alma das pessoas, acredito que eu não veria o que vejo. Passo a mão direita sobre minha face, que ainda não mostra os meus vinte e seis anos, e flashes de imagens vem em minha cabeça, vejo diferentes fases de minha, e nenhuma delas me agrada.
Canso de tanta reflexão, e olho para a minha cama exausta, encaminhando a ela. Deito-me e apago as luzes, mas a escuridão não aguça meu sono e fico ali deitada, pensando na minha vida monótona e massacrante, em minhas desilusões e anseios. Momentos marcantes de cada fase da minha vida parecem gravados detalhadamente em minha mente, como se tivessem sido entalhados ali. Alguns me fazem rir, alguns não me trazem mais reações, e outros me dão uma dor no peito e uma vontade incontrolável de chorar. A primeira lágrima escorre por minha face, mas logo contenho-me, dormir está noite, parece uma tarefa impossível.
Sento na beira da cama e observo tudo que há em torno de mim, e o que vejo é tudo aquilo que conquistei ao longo da vida: jóias, armas brancas, livros, perfumes caros, móveis trabalhados, roupas de grife... Vejo dinheiro e mais dinheiro. Mas não vejo a felicidade, não consigo encontrá-la em lugar algum, talvez porque não a conquistei, porque não gastei energias para buscá-la, para achá-la, sinto falta dela.
Me pergunto para que viver uma vida de trabalho duro e luxo, uma vida de dinheiro e poder, uma busca incessante por uma vida consumista. Uma vida amarga, uma vida triste, uma vida solitária. Não tem sentido viver a vida, se ela não for realmente vivida, e eu certamente, não estou vivendo.
Ouço o vento lá fora, que bate nas folhas e nos galhos das árvores, sinto uma vontade enorme de juntar-me a ele, e ser livre, não ter de pensar em mais nada. Observo atentamente a parede em que tenho armas mortais, adquiridas ao longo da vida, apenas pela beleza delas, mas que poderia me ser útil nesse instante, levanto novamente da cama, caminho pelo chão, descalça, e logo chego a espada maçônica, a primeira que adquiri, há três anos, certamente é a minha favorita.
Com o punhal bem seguro em minha mão examino cada centimetro da espada mais bela que já vi, passo o dedo sobre a lâmina e ele logo começa a sangrar. Passo a passo chego a sacada novamente, as luzes ainda estão apagadas, mas a lua está tão linda, que seu brilho é o suficiente para iluminar tudo, pés no chão e a espada em minha mão direita, quando passo pela porta, sinto o choque térmico, caminho lentamente, passo a passo, até o parapeito.
Com dificuldade, pela altura e por estar segurando uma espada com a mão direita, subo ofegante no parapeito, sinto algo quente que sai de dentro de mim, e a última coisa que eu vejo é o belo plenilúnio.

Yohanna Madalozzo

Pensamentos Desconexos


Estou sentada em minha cama, apenas olho em vão, sem captar um misero movimento em torno de mim, nem mesmo o vento quer disparar em todas as direções, apenas me perco em pensamentos sem fim. Se ontem parecia ruim, o hoje chega a ser mefistoférico, se não sabia se gostava, se não sabia se amava, se não sabia o que sentia, neste instante, me parece que sei menos ainda...
A noite enfim vem chegando, estamos no crepúsculo, e enquanto a lua aproxima-se de sua grandeza, de sua beleza, as dúvidas aproximam-se de mim. Observo sem minúcias o que está em torno de mim, mas apenas vejo, não olho atentamente, não capto nada além do que aquilo que sou capaz de ver, pois não vejo nada, apenas finjo ver, meu olhar e minha mente não estão no mesmo aposento que meu corpo.
Em um ímpeto, levanto-me bruscamente e saio a caminhar em direção a porta de meu quarto, apenas quero sair daquele local, e buscar um vento, um ar pra respirar, olhar a lua e estrelas, e não pensar em nada. Contudo pensamentos são inevitáveis, pois o ser humano é, teoricamente, um ser pensante, um ser totalmente racional.
Então, em minha memória viro páginas e páginas, e retorno a tempos atrás, aqueles que não apaguei, só deixei esquecidos no passado, e me pego pensando, imaginando, o que pode acontecer, pois a história pode repetir-se, como numa sucessão de “dejá vu”, o que não seria nem um pouco legal.
Sim, esses pensamentos desconexos são intrínsecos a minha mente, não sei porque, mas há muito que fazem parte de meu ser, não me deixam, apenas deixam marcas, dúvidas, argumentos e lembranças, lembranças inesgotáveis, algumas boas e outras péssimas. Mas não quero mais pensar, não quero imaginar, não quero me iludir, não quero sentir, não quero ser.
A lua está linda e cheia, prefiro pensar na imensidão do Universo, nos planetas, satélites, cometas, estrelas, constelações, galáxias, na gigante Via Láctea, no Big Bang e em Deus, criador. No entanto, em apenas um descuido já me vejo pensando em Mariana e Simão, me lembro de Catherine e Heathcliff, Beatriz e Dante, Bentinho e Capitu, e obviamente a bela Julieta e o Romeu...
Lembro então de cada momento, por mais simples que o seja. Aquele momento em que te vejo, um momento simplesmente nostálgico, aquele momento em que olho nos seus olhos e simplesmente fico sem palavras, quando apenas paro para te ver por mais um instante e meus olhos não querem observar mais nada, quando você se aproxima e eu não quero mais nada a não ser que você não fique longe, quando você encosta em mim, e o toque de sua pele parece a melhor coisa do mundo, quando palavras saem através dos seus lábios, e soam como a mais bela canção...
Preciso parar com isso, esquecer esta loucura, mas como, se tudo parece me fazer lembrar cada vez mais, pensar cada vez mais, esquecer de tudo e ver apenas tua imagem. Enfim, viro-me e volto ao meu quarto, a única coisa a fazer é deitar minha cabeça no travesseiro e desejar não sonhar com você.

Yohanna Madalozzo

Claridade Obscura




Mostre-me um sorriso sincero
Capaz de arrancar risadas e suspiros
Apenas por ser verdadeiro
E será o fim de qualquer tristeza

Diga-me lindas palavras
Mas que não sejam vazias e vagas
Apenas simples e reais, nada além disso
E quando forem apenas palavras... Cale-se

Demonstre tudo que sente, tudo que quer
Em um simples gesto
Palavras são capazes de dizer tudo
Mas os gestos, as vezes podem ir além

Não derrube lágrimas em vão
Elas tendem a rolar pela face a qualquer instante
Seja ele o mais sútil possível
Mas poucas vezes são derramadas por um bom motivo

Seja Feliz, a tristeza é inimiga
Da verdade, da pureza, do amor
Não há beleza na tristeza
Não há vida sem um momento feliz

Nunca deixe de ser você por outro alguém
Se todos estão a rir
Deixam que deêm risada
Mas não apague seu brilho...


Yohanna Madalozzo

Trióxido de Arsênio


Ando pelas ruas desertas dessa cidade, já deve passar de meia-noite, mas não sinto medo, na verdade sinto-me em pura nostalgia, nada é tão maravilhoso quanto ficar só, andando pelas ruas, observando a lua, e ouvindo apenas o vento, e as folhas. É tão sublime esse sentimento que sai de mim, no entanto, são apenas por uns instantes que me sinto tão livre e feliz, logo a realidade vem a tona, e me lembro o motivo de estar aqui.
Se eu pudesse esquecer, se eu conseguisse esquecer, mas apenas em martirizo, me sinto pior a cada segundo e não vejo mais razões para viver, minha vida perdeu seus alicerces, e tudo foi por água abaixo. Se em um segundo acreditava que era possível ter esperanças, que era possível esperar e atingir minhas metas, no momento seguinte já não acreditava em mais nada.
Fico questionando-me se eu nasci para viver desilusões, para ter desgostos, e para ser a pessoa mais cruel desse mundo. Mas quando penso novamente, vejo que tudo nessa vida me fez ser assim, e que os acontecimentos pertinentes à ela também a transformaram mais e mais, me transformaram mais e mais.
Agora apenas sinto vontade de sentar em um bosque, pular em um lago, e observar a lua beijá-lo durante a noite inteira, contudo no segundo seguinte já sinto vontade de me jogar do mais alto prédio que encontrar no meu caminho e poder voar nos meus últimos segundos de vida.
A vida parece tão bela, mas nesse instante a morte parece o fim dos meus problemas, o fim das minhas dores, o fim das minhas lembranças, o fim de tudo, e um recomeço, um recomeço sem tristezas, sem desilusões, sem amores. Mas será que existe uma outra vida, em um outro lugar. Se existe, com certeza a morte seria melhor que a vida da forma como eu a vivo.
Poderia morrer como nos grandes impérios antigos, com uma espada, ou simplesmente com um veneno. Seria essa a solução? Não vejo outra em minha frente. Não seria simples arrumar algo nessa cidade, o mais fácil seria arsênico, mas seria uma morte tão dolorosa, pelo menos seria o fim.
Enfim, chegam os últimos segundos de sanidade, já sinto dores mas recuso-me a gritar, fico silenciosa e apenas observo a lua, parece que a dor não tem fim, mas ainda encontro forças. Minha mente começa a não formar mais figuras, e a perder os sentidos, já não entendo mais o que acontece em torno de mim, e meus sentidos parecem mais aguçados.
As dores começam a cessar, a visão começa a turvar, tudo começa a perder a cor, a perder as formas. Há pouca luz, e já não consigo ver quase nada, está ficando cada vez mais escuro, já não ouço barulhos, já não sinto mais dor, enfim tudo ficou cinza e o preto já alastra-se por tudo. A escuridão toma conta de mim.

Yohanna Madalozzo