Andando pela London Bridge, sem rumo, sem direção. Um fluxo continuo de pensamentos desconexos, não sei pra onde vou, não sei de onde venho, e de repente, não sei quem sou, por isso, minha única opção é andar, andar, andar, como um nômade, que não possui um lugar fixo. Mas minhas pernas já estão cansadas, já não tenho forças... Minha mente pede para que eu continue, mas meu corpo não a obedece mais, então caio, e fico ali deitada, olhando para o céu.
Ainda é cedo, o Sol está nascendo, esse linda aurora do dia, mas porque eu estou deitada? Eu deveria andar, a única coisa que posso fazer nessa vida. Mas está tão bom, ficar deitada, não raciocinar, não pensar, apenas olhar o céu azulado, apenas ser livre, e fazer algo simples e brilhante.
Um carro passa ao meu lado, mas podia ter passado por cima, isso faria alguma diferença? Acredito que não, afinal nem sei quem sou, porque tenho que viver, morrer é tão mais tranquilizante, afinal é o fim do sofrimento, da angustia, do desconhecido. E se eu ficar deitada aqui e simplesmente esperar um carro passar por cima de mim?
Infelizmente, é feriado, e as ruas estão vazias, já passa de meio-dia, e poucos carros vi passar por aqui. Sento-me no mesmo lugar em que estive deitada, e apenas vejo as águas que se movem de um lado para o outro, águas que a cada minuto ficam mais agitadas. De repente, meu cabelo começa a mexer também, o vento está começando a ficar forte, e o céu começa a escurecer, pelo visto, uma tempestade vem por ai!
E agora? Ficar na chuva, ou procurar um lugar para me esconder? Tomar banho de chuva é tão bom, lava a alma, é, vou ficar aqui. As gotas começam a cair, sinto cada uma encostar em minha pele, está gelada, mas é simplesmente maravilhosa essa liberdade. Abro os braços e começo a girar, não há mais nada a se fazer.
Estou sem rumo, sem direção, a chuva parou, a noite caiu, o que fazer? Apenas uma ponte é o que vejo, e água, muita água por todo o lado. O frio e a fome me abraçam, a noite começa a envolver-me e o medo, o medo que chega com ela. Não sei quem sou, não sei onde estou, não sei pra onde vou, só sei que estou com medo, eles estão vindo me atormentar.
Não suporto ouvir esses gritos, enchem minha cabeça, eu grito, eu bato em vão, e eles não me deixam em paz. Não sei mais o que fazer, não sei onde estou, porque esse medo está aqui, porque não me deixa em paz? A solução, para acabar com isso, para acabar com o medo, para acabar com a dúvida, para extinguir os questionamentos, é isso.
Olha para os lados e só vejo água, água, água. Por que não? Me debruço e me jogo! Por uns instantes sinto o vento, sinto como se estivesse voando, chega a água, chega o frio, chega a escuridão, e o medo, mas é por poucos segundos, só vejo água, só sinto a água, e de repente, ela está dentro de mim.
Yohanna Madalozzo
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